Engenheiro, químico e doutor, Sérgio Perez Ramos da Silva coordena o projeto e diz que a tecnologia, comum no exterior, enfrenta problemas para chegar ao Brasil
Há dez anos, a Universidade Estadual de Pernambuco (UPE) desenvolve um projeto para transformar lixo em combustível. Feito em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o trabalho de aproveitamento de resíduos estuda o potencial energético do lixo agrícola, de resíduos urbanos e materiais que não podem ser reciclados ou que não têm demanda para isso.
O objetivo da pesquisa é evidenciar o potencial de combustão destes materiais. Assim, a reciclagem diminui a poluição atmosférica e, ao mesmo tempo, produz energia. Mas há entraves, como o custo elevado do processo e a falta de políticas que estimulem essa atividade.
O engenheiro mecânico Sérgio Peres Ramos da Silva, químico industrial e doutor pela Universidade da Flórida em Aproveitamento Energético de Resíduos, coordena o Laboratório de Combustíveis e Energia da UPE. Ele também integra a coordenação da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel (RBTB) na área de co-produtos (energia dos co-produtos da produção do biodiesel). Nesta entrevista, ele explica o estágio atual do projeto e as dificuldades.
Este é o primeiro projeto de transformação de lixo em combustível do Brasil?
Existem mais projetos em funcionamento no Brasil e no mundo. Em biogás, o pioneiro de grande porte no país foi o aterro dos Bandeirantes, em São Paulo. No mundo, a utilização do biogás e a incineração do lixo para a geração de energia é bastante utilizada na Europa e nos Estados Unidos.
Por que não é tão utilizada aqui?
No Brasil, ainda não há incineradores de lixo para geração de energia. Atualmente, os Estados Unidos estão utilizando gaseificação a plasma, na qual a temperatura do reator chega a 10.000 graus Celsius para degradar toda a matéria orgânica. Essa tecnologia ainda não chegou aqui. Ela enfrenta resistência [para ser adotada no país] porque é muito cara.
Quais são os custos para a utilização dessa forma de energia?
Os valores são relativamente altos. Segundo a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, o custo por kW instalado varia de US$ 1.100 a US$ 1.300 se forem usados motores de combustão interna; de US$ 1.200 a US$ 1.700 se forem usadas turbinas a gás; e de US$ 2.000 a US$ 2.500 em turbinas a vapor. A forma de utilização mais comum é com motores de combustão interna. Ela tem a vantagem de ser modular. Ou seja, quando a produção de biogás está alta, são utilizados mais motores. E quando, com o tempo, acontece a diminuição de produção do biogás, os motores podem ser removidos para outras localidades. O mesmo procedimento pode ser utilizado até a escassez total do biogás.
Quais são os benefícios e as dificuldades de transformar lixo em combustível?
Os benefícios são o aproveitamento do biogás, que tem metano (uma substância com poder de aquecimento global 21 vezes maior do que o dióxido de carbono), a possibilidade de obtenção de créditos de carbono e a redução da poluição. A única dificuldade é a falta de políticas que incentivem a utilização desta forma de energia.
Andrés Bruzzone Comunicação
http://meioambiente.terra.com.br/interna.php?id=148&canal=3
Wednesday, September 15, 2010
Thursday, September 9, 2010
Limites sobre as RCEs podem favorecer corretores
30/08/2010 - Autor: Michael Szabo - Fonte: Reuters
Novas propostas da União Européia para limitar o uso de compensações provenientes de projetos de redução de gases industriais sob o Protocolo de Quioto a partir de 2013 podem favorecer os corretores atuantes no mercado de carbono ao passo que as bolsas de valores esperam por mais esclarecimentos.
Na quarta-feira passada a comissária européia para mudanças climáticas Connie Hedegaard disse que está considerando limites pós 2012 no uso das Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) envolvendo gases industriais devido a preocupações sobre a integridade ambiental.
Até que as propostas sejam finalizadas, as principais bolsas européias anunciaram que não têm planos de deixar seus membros comprarem determinados tipos de RCEs, o que significa que os corretores podem vir a se beneficiar no mercado de balcão.
“Isto pode segmentar o mercado, e é uma boa notícia para os corretores”, comentou o analista do Societé Générale/Orbeo Emmanuel Fages.
As incertezas em relação as regras estão sendo absorvidas pelos corretores, que este ano enfrentaram demissões e perderam mercado para as bolsas com a recessão econômica.
“A falta de clareza regulatória significa que os clientes se beneficiam dos nossos serviços mais sob medida”, explicou Harry Beamish da corretora CarbonDesk.
Hedegaard disse que as restrições de qualidade podem afetar o uso de RCEs na terceira fase do esquema europeu de comércio de emissões.
Atualmente as bolsas de valores oferecem negociações futuras de RCEs para entrega até dezembro de 2012, mas suas regras são rígidas e os contratos não permitem que os membros vejam quais tipos estão comprando.
Por outro lado, o mercado de balcão, conduzido pelos corretores, é mais flexível e permite que os compradores especifiquem exatamente o que procuram e para quando desejam a entrega.
“Provavelmente veremos preços mais baixos para as RCEs negociadas nas bolsas, mas valores maiores no mercado de balcão para RCEs que não envolvam gases industriais”, completou Fages.
De acordo com especialistas, um mercado de RCEs fragmentado tem prós e contras.
Beamish comentou que isto pode ajudar os compradores que buscam agir antes que qualquer limite entre em vigor, usando as RCEs industriais para cumprimento da segunda fase do esquema (2008-2012).
Mas a segmentação pode afetar adversamente a liquidez, dividindo os volumes e distorcendo os preços entre as bolsas e corretores, disse uma fonte de uma bolsa européia em anônimo.
Outra possibilidade é que o mercado de RCEs seja pressionado, ficando similar ao voluntário que oferece uma gama de preços baseados na combinação do tipo do projeto, país de origem e ano.
Independentemente, alguns corretores disseram que já estão vendo o aumento das negociações como resultado do anuncio de Hedegaard.
“Desde então tive ligações de clientes sobre a compra de RCEs não provenientes de gases industriais, algo que não pode ser feito nas bolsas”, comentou um corretor que também pediu para não ser identificado.
Os limites europeus para as RCEs pós 2012 serão anunciados após a finalização da análise impacto da Comissão Européia, esperada para antes da conferência da ONU no México no final de novembro.
Sem clareza, sem planos
Apesar de Hedegaard não ter especificado quais projetos de MDL de gases industriais podem ser afetados pelas propostas, analistas dizem que o provável alvo são os potentes gases HFC-23.
O Comitê Executivo do MDL congelou a expedição de RCEs para vários projetos envolvendo o HFC-23 em detrimento de investigações. Enquanto isso, bolsas como a Bolsa Européia do Clima (ECX) e a Nord Pool disseram que não segmentarão a negociação de RCEs para permitir que os clientes comprem créditos não HFC.
“Não temos planos específicos para segmentar as ofertas existentes de RCEs”, comentou uma porta-voz da NASDAQ OMX, proprietária da Nord Pool.
“A ICE ECX precisa de muito mais certeza sobre o mercado de MDL pós 2012 antes de oferecer qualquer produto de RCE adicional ou modificado”, disse Sam Johnson-Hill da ECX.
Regras para o uso das RCEs pós 2012 tem sido sujeitas a especulação há anos, perturbando investidores que buscam por maiores certezas e evitando que as bolsas lancem negociações futuras.
O mercado de balcão, ao contrário, já registrou várias negociações de RCEs de pequena escala para entrega pós 2012, enquanto a falta de clareza também levou a um leve diferencial de preço entre os diferentes tipos de RCEs.
“Geralmente vemos um premium ‘verde’ em algumas RCEs de maior qualidade, por exemplo de projetos de energias renováveis, e um desconto associado a outros”, comentou Beamish da CarbonDesk.
Traduzido por Fernanda B. Muller, CarbonoBrasil
Leia o texto original em inglês na Reuters
Novas propostas da União Européia para limitar o uso de compensações provenientes de projetos de redução de gases industriais sob o Protocolo de Quioto a partir de 2013 podem favorecer os corretores atuantes no mercado de carbono ao passo que as bolsas de valores esperam por mais esclarecimentos.
Na quarta-feira passada a comissária européia para mudanças climáticas Connie Hedegaard disse que está considerando limites pós 2012 no uso das Reduções Certificadas de Emissão (RCEs) envolvendo gases industriais devido a preocupações sobre a integridade ambiental.
Até que as propostas sejam finalizadas, as principais bolsas européias anunciaram que não têm planos de deixar seus membros comprarem determinados tipos de RCEs, o que significa que os corretores podem vir a se beneficiar no mercado de balcão.
“Isto pode segmentar o mercado, e é uma boa notícia para os corretores”, comentou o analista do Societé Générale/Orbeo Emmanuel Fages.
As incertezas em relação as regras estão sendo absorvidas pelos corretores, que este ano enfrentaram demissões e perderam mercado para as bolsas com a recessão econômica.
“A falta de clareza regulatória significa que os clientes se beneficiam dos nossos serviços mais sob medida”, explicou Harry Beamish da corretora CarbonDesk.
Hedegaard disse que as restrições de qualidade podem afetar o uso de RCEs na terceira fase do esquema europeu de comércio de emissões.
Atualmente as bolsas de valores oferecem negociações futuras de RCEs para entrega até dezembro de 2012, mas suas regras são rígidas e os contratos não permitem que os membros vejam quais tipos estão comprando.
Por outro lado, o mercado de balcão, conduzido pelos corretores, é mais flexível e permite que os compradores especifiquem exatamente o que procuram e para quando desejam a entrega.
“Provavelmente veremos preços mais baixos para as RCEs negociadas nas bolsas, mas valores maiores no mercado de balcão para RCEs que não envolvam gases industriais”, completou Fages.
De acordo com especialistas, um mercado de RCEs fragmentado tem prós e contras.
Beamish comentou que isto pode ajudar os compradores que buscam agir antes que qualquer limite entre em vigor, usando as RCEs industriais para cumprimento da segunda fase do esquema (2008-2012).
Mas a segmentação pode afetar adversamente a liquidez, dividindo os volumes e distorcendo os preços entre as bolsas e corretores, disse uma fonte de uma bolsa européia em anônimo.
Outra possibilidade é que o mercado de RCEs seja pressionado, ficando similar ao voluntário que oferece uma gama de preços baseados na combinação do tipo do projeto, país de origem e ano.
Independentemente, alguns corretores disseram que já estão vendo o aumento das negociações como resultado do anuncio de Hedegaard.
“Desde então tive ligações de clientes sobre a compra de RCEs não provenientes de gases industriais, algo que não pode ser feito nas bolsas”, comentou um corretor que também pediu para não ser identificado.
Os limites europeus para as RCEs pós 2012 serão anunciados após a finalização da análise impacto da Comissão Européia, esperada para antes da conferência da ONU no México no final de novembro.
Sem clareza, sem planos
Apesar de Hedegaard não ter especificado quais projetos de MDL de gases industriais podem ser afetados pelas propostas, analistas dizem que o provável alvo são os potentes gases HFC-23.
O Comitê Executivo do MDL congelou a expedição de RCEs para vários projetos envolvendo o HFC-23 em detrimento de investigações. Enquanto isso, bolsas como a Bolsa Européia do Clima (ECX) e a Nord Pool disseram que não segmentarão a negociação de RCEs para permitir que os clientes comprem créditos não HFC.
“Não temos planos específicos para segmentar as ofertas existentes de RCEs”, comentou uma porta-voz da NASDAQ OMX, proprietária da Nord Pool.
“A ICE ECX precisa de muito mais certeza sobre o mercado de MDL pós 2012 antes de oferecer qualquer produto de RCE adicional ou modificado”, disse Sam Johnson-Hill da ECX.
Regras para o uso das RCEs pós 2012 tem sido sujeitas a especulação há anos, perturbando investidores que buscam por maiores certezas e evitando que as bolsas lancem negociações futuras.
O mercado de balcão, ao contrário, já registrou várias negociações de RCEs de pequena escala para entrega pós 2012, enquanto a falta de clareza também levou a um leve diferencial de preço entre os diferentes tipos de RCEs.
“Geralmente vemos um premium ‘verde’ em algumas RCEs de maior qualidade, por exemplo de projetos de energias renováveis, e um desconto associado a outros”, comentou Beamish da CarbonDesk.
Traduzido por Fernanda B. Muller, CarbonoBrasil
Leia o texto original em inglês na Reuters
Mulheres responsáveis pelo novo aterro sanitário, em Seropédica, têm desafio de transformar o lixo do Rio em ativo ambiental
RIO - Uma tem jeito de mãezona. Não perde a oportunidade de bater papo com as filhas debaixo da coberta. Outra é elétrica. A cada dia, visita uma unidade diferente da empresa em que trabalha e ainda arruma tempo para correr na praia, cuidar das crianças e cursar sua terceira faculdade. A mais nova é meio zen. Gosta de viajar para lugares exóticos, da Patagônia a Machu Picchu. Mas, apesar de personalidades tão diferentes, quando o assunto é trabalho, essas três mulheres falam a mesma língua. Luzia Galdeano, Adriana Felipetto e Priscila Zidan formam o trio de executivas que estará à frente da central de tratamento de resíduos de Seropédica, um empreendimento de R$ 81 milhões que receberá todo o lixo da cidade do Rio de Janeiro, hoje despejado no aterro controlado de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, que será desativado.
Serão nove mil toneladas de lixo por dia, vindas não apenas do Rio, mas também de Itaguaí e da própria cidade de Seropédica. O grande desafio das "damas do lixo" é transformar essa montanha de rejeitos em um ativo ambiental. Hoje, o Brasil produz 259 mil toneladas de lixo por dia, segundo os últimos dados do IBGE, referentes ao ano de 2008. Cerca de 72% dos municípios jogam os resíduos em lixões a céu aberto ou em aterros controlados, como o de Gramacho. Ambos são inadequados, pois não impedem a contaminação do solo ou da água pelo lixo. Apenas 27,7% das cidades brasileiras têm aterros sanitários apontados por especialistas como áreas apropriadas para o descarte. Nelas, o lixo é tratado e não há catadores ou urubus.
Assista ao vídeo: O Caminho do Lixo
Executiva não dispensa o perfume e o salto alto
O projeto de Seropédica será administrado pela Ciclus - sociedade entre as empresas Júlio Simões e Haztec e uma concessão pública da Comlurb - presidida por Luzia, de 44 anos. Com a experiência de quem comandou por nove anos a maior central de tratamento de resíduos da América Latina, em Caieiras (SP), essa paranaense de Pérola do Oeste pretende imprimir sua marca no empreendimento. Não dispensa perfume - Sintonia, da Natura, é um de seus preferidos - nem salto alto, mas dirige até caminhão, se necessário:
- Foi assim que conquistei minha equipe - diz Luzia, que vai liderar 600 empregados na nova unidade, cuja operação está prevista para início de 2011.
As obras começaram há duas semanas, com a concessão da licença da prefeitura de Seropédica. Desde então, Luzia vive na ponte aérea entre Rio e São Paulo, onde mora com o marido, Marcos, de 48 anos, e as filhas, Priscila e Larissa, de 21 e 18 anos. A família pretende se mudar definitivamente para o Rio até o fim do ano.
- Sou desprendida. Mas a família vai sempre junto. Faço questão de estar sempre com as meninas. Até hoje, ficamos debaixo da coberta conversando, como fazíamos quando elas eram crianças.
Adriana Felipetto, de 39 anos, também nasceu no interior, em Franca (SP), mas foi criada em praias cariocas. Graduada em engenharia civil e ambiental e com mestrado em finanças, esteve à frente de um projeto pioneiro de geração de energia a partir do gás resultante da decomposição do lixo na central de tratamento de Nova Iguaçu. O projeto foi o primeiro no mundo a ser enquadrado pela ONU no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, um dos instrumentos do mercado de crédito de carbono para mitigar os efeitos dos gases estufa. Na época, a central era administrada pela Novagerar, adquirida em 2008 pela Haztec, onde atualmente Adriana ocupa o cargo de superintendente.
A executiva quer repetir a experiência em Seropédica, onde o aproveitamento do gás terá potencial para gerar 30 megawatts (MW), energia suficiente para iluminar uma cidade de 200 mil habitantes. O tratamento do gás também evitará o lançamento de 1,9 milhão de tonelada de gás carbônico equivalente na atmosfera por ano.
- Um lixão tem custo zero de operação, mas o preço que a sociedade paga é alto. Os aterros sanitários têm um custo de R$ 45 por tonelada tratada, não poluem o ambiente e ainda geram arrecadação para a cidade. São a melhor relação custo-benefício para a sociedade - diz Adriana.
Tecnologia da nova central é inédita no Brasil
Adriana se divide entre as sete centrais de tratamento de resíduos que a Haztec opera. Nada que a impeça de correr na praia do Leblon, bairro onde mora, quatro vezes por semana. A ex-jogadora de vôlei - na adolescência era da equipe do Bradesco - também arruma um tempinho para assistir às aulas do curso de direito na PUC-Rio, sua terceira faculdade. E ainda atravessa a ponte Rio-Niterói uma vez a cada dois meses para renovar seu megahair. Frequenta o mesmo salão há oito anos e garante que o esforço para conservar o look vale a pena.
Como as duas colegas de trabalho, a carioca Priscila, de 31 anos, também exibe uma aliança na mão esquerda. Mas, como ainda não tem filhos, se dá o luxo de rodar o mundo ao lado do marido, Luiz Paulo. Um dos destinos que está na lista é a Síria, terra de seus bisavós paternos. Enquanto não põe os pés no Oriente Médio, é em uma escola de dança que busca sua herança árabe. Uma vez por semana tem aulas de dança do ventre:
- Como trabalho em um ambiente com muitos homens, sinto falta de um toque feminino. A dança me ajuda nisso - diz Priscila, superintendente de operações da Ciclus.
O projeto que une as três executivas vem sendo considerado uma fronteira tecnológica quando o assunto é lixo. O pulo do gato está na rede de sensores capazes de detectar qualquer vazamento ou tremor no terreno sobre o qual os resíduos são depositados. Nenhuma central de tratamento no Brasil dispõe dessa tecnologia. Além disso, o aterro terá uma tripla camada de polietileno - uma espécie de plástico ultrarresistente que impermeabiliza o solo - e um moderno sistema de drenagem, que suga o gás e o chorume resultantes da decomposição do lixo e os conduzem para uma estação de tratamento.
Comerciantes e políticos locais são contra o projeto
O que é solução para alguns, porém, tornou-se uma dor de cabeça para outros. Comerciantes, políticos e pesquisadores de Seropédica se mobilizam para barrar o projeto. Há ações no Ministério Público Federal e Estadual. Eles alegam que o aterro será erguido em uma área de nascentes que abastece o aquífero Piranema. E que o empreendimento limitará a expansão da cidade, ao inviabilizar qualquer desenvolvimento de outra atividade econômica na região. Lembram ainda que a licença da prefeitura foi concedida pelo ex-prefeito Darci dos Anjos Lopes (PSDB), na sua última semana em exercício, antes der ser cassado por captação ilícita de votos.
- A área onde está sendo erguido o aterro também é vulnerável a inundações. Como garantir que um vazamento poderá ser contido a tempo? - pergunta Rosângela Straliotto, pesquisadora da Embrapa Agrobiologia.
Adriana Filipetto, da Haztec, frisa que a área onde ficará a central em Seropédica foi indicada por um grupo de trabalho da Prefeitura do Rio e que todas as licenças ambientais foram obtidas. Ainda que o lixo não contamine o solo ou o aquífero, o entra e sai de caminhões levando lixo para o aterro trará forte impacto logístico, na avaliação do pesquisador da Coppe Luciano Basto:
- O aterro é imprescindível, mas sem dúvida trará impactos, como o aumento do tráfego de caminhões. Além disso deve ser pensado como parte da solução para o lixo, devendo ser acompanhado de uma política de coleta seletiva de resíduos.
Serão nove mil toneladas de lixo por dia, vindas não apenas do Rio, mas também de Itaguaí e da própria cidade de Seropédica. O grande desafio das "damas do lixo" é transformar essa montanha de rejeitos em um ativo ambiental. Hoje, o Brasil produz 259 mil toneladas de lixo por dia, segundo os últimos dados do IBGE, referentes ao ano de 2008. Cerca de 72% dos municípios jogam os resíduos em lixões a céu aberto ou em aterros controlados, como o de Gramacho. Ambos são inadequados, pois não impedem a contaminação do solo ou da água pelo lixo. Apenas 27,7% das cidades brasileiras têm aterros sanitários apontados por especialistas como áreas apropriadas para o descarte. Nelas, o lixo é tratado e não há catadores ou urubus.
Assista ao vídeo: O Caminho do Lixo
Executiva não dispensa o perfume e o salto alto
O projeto de Seropédica será administrado pela Ciclus - sociedade entre as empresas Júlio Simões e Haztec e uma concessão pública da Comlurb - presidida por Luzia, de 44 anos. Com a experiência de quem comandou por nove anos a maior central de tratamento de resíduos da América Latina, em Caieiras (SP), essa paranaense de Pérola do Oeste pretende imprimir sua marca no empreendimento. Não dispensa perfume - Sintonia, da Natura, é um de seus preferidos - nem salto alto, mas dirige até caminhão, se necessário:
- Foi assim que conquistei minha equipe - diz Luzia, que vai liderar 600 empregados na nova unidade, cuja operação está prevista para início de 2011.
As obras começaram há duas semanas, com a concessão da licença da prefeitura de Seropédica. Desde então, Luzia vive na ponte aérea entre Rio e São Paulo, onde mora com o marido, Marcos, de 48 anos, e as filhas, Priscila e Larissa, de 21 e 18 anos. A família pretende se mudar definitivamente para o Rio até o fim do ano.
- Sou desprendida. Mas a família vai sempre junto. Faço questão de estar sempre com as meninas. Até hoje, ficamos debaixo da coberta conversando, como fazíamos quando elas eram crianças.
Adriana Felipetto, de 39 anos, também nasceu no interior, em Franca (SP), mas foi criada em praias cariocas. Graduada em engenharia civil e ambiental e com mestrado em finanças, esteve à frente de um projeto pioneiro de geração de energia a partir do gás resultante da decomposição do lixo na central de tratamento de Nova Iguaçu. O projeto foi o primeiro no mundo a ser enquadrado pela ONU no âmbito do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, um dos instrumentos do mercado de crédito de carbono para mitigar os efeitos dos gases estufa. Na época, a central era administrada pela Novagerar, adquirida em 2008 pela Haztec, onde atualmente Adriana ocupa o cargo de superintendente.
A executiva quer repetir a experiência em Seropédica, onde o aproveitamento do gás terá potencial para gerar 30 megawatts (MW), energia suficiente para iluminar uma cidade de 200 mil habitantes. O tratamento do gás também evitará o lançamento de 1,9 milhão de tonelada de gás carbônico equivalente na atmosfera por ano.
- Um lixão tem custo zero de operação, mas o preço que a sociedade paga é alto. Os aterros sanitários têm um custo de R$ 45 por tonelada tratada, não poluem o ambiente e ainda geram arrecadação para a cidade. São a melhor relação custo-benefício para a sociedade - diz Adriana.
Tecnologia da nova central é inédita no Brasil
Adriana se divide entre as sete centrais de tratamento de resíduos que a Haztec opera. Nada que a impeça de correr na praia do Leblon, bairro onde mora, quatro vezes por semana. A ex-jogadora de vôlei - na adolescência era da equipe do Bradesco - também arruma um tempinho para assistir às aulas do curso de direito na PUC-Rio, sua terceira faculdade. E ainda atravessa a ponte Rio-Niterói uma vez a cada dois meses para renovar seu megahair. Frequenta o mesmo salão há oito anos e garante que o esforço para conservar o look vale a pena.
Como as duas colegas de trabalho, a carioca Priscila, de 31 anos, também exibe uma aliança na mão esquerda. Mas, como ainda não tem filhos, se dá o luxo de rodar o mundo ao lado do marido, Luiz Paulo. Um dos destinos que está na lista é a Síria, terra de seus bisavós paternos. Enquanto não põe os pés no Oriente Médio, é em uma escola de dança que busca sua herança árabe. Uma vez por semana tem aulas de dança do ventre:
- Como trabalho em um ambiente com muitos homens, sinto falta de um toque feminino. A dança me ajuda nisso - diz Priscila, superintendente de operações da Ciclus.
O projeto que une as três executivas vem sendo considerado uma fronteira tecnológica quando o assunto é lixo. O pulo do gato está na rede de sensores capazes de detectar qualquer vazamento ou tremor no terreno sobre o qual os resíduos são depositados. Nenhuma central de tratamento no Brasil dispõe dessa tecnologia. Além disso, o aterro terá uma tripla camada de polietileno - uma espécie de plástico ultrarresistente que impermeabiliza o solo - e um moderno sistema de drenagem, que suga o gás e o chorume resultantes da decomposição do lixo e os conduzem para uma estação de tratamento.
Comerciantes e políticos locais são contra o projeto
O que é solução para alguns, porém, tornou-se uma dor de cabeça para outros. Comerciantes, políticos e pesquisadores de Seropédica se mobilizam para barrar o projeto. Há ações no Ministério Público Federal e Estadual. Eles alegam que o aterro será erguido em uma área de nascentes que abastece o aquífero Piranema. E que o empreendimento limitará a expansão da cidade, ao inviabilizar qualquer desenvolvimento de outra atividade econômica na região. Lembram ainda que a licença da prefeitura foi concedida pelo ex-prefeito Darci dos Anjos Lopes (PSDB), na sua última semana em exercício, antes der ser cassado por captação ilícita de votos.
- A área onde está sendo erguido o aterro também é vulnerável a inundações. Como garantir que um vazamento poderá ser contido a tempo? - pergunta Rosângela Straliotto, pesquisadora da Embrapa Agrobiologia.
Adriana Filipetto, da Haztec, frisa que a área onde ficará a central em Seropédica foi indicada por um grupo de trabalho da Prefeitura do Rio e que todas as licenças ambientais foram obtidas. Ainda que o lixo não contamine o solo ou o aquífero, o entra e sai de caminhões levando lixo para o aterro trará forte impacto logístico, na avaliação do pesquisador da Coppe Luciano Basto:
- O aterro é imprescindível, mas sem dúvida trará impactos, como o aumento do tráfego de caminhões. Além disso deve ser pensado como parte da solução para o lixo, devendo ser acompanhado de uma política de coleta seletiva de resíduos.
Tuesday, August 31, 2010
Engenheiro Ambiental - SBC-SP Empresa multinacional
Engenheiro Ambiental - SBC-SP
Empresa multinacional do segmento automotivo em forte crescimento no mercado brasileiro.
Descrição da vaga
· Assegurar o cumprimento de legislação e normas técnicas em Meio Ambiente, nas plantas da região;
· Padronizar e assegurar que sejam realizadas todas as medições técnicas necessárias para as plantas da região;
· Investigar e traçar ações corretivas para não-conformidades e incidentes ambientais;
· Garantir a melhoria contínua em meio ambiente, nas plantas da região;
· Padronizar procedimentos em meio ambiente;
· Analisar e controlar o andamento de ações relacionadas às observações em meio ambiente, realizadas pelos colaboradores da região;
· Prestar suporte técnico em processos trabalhistas e perícias em meio ambiente, nas plantas da região;
· Formular e consolidar relatórios técnicos em meio ambiente;
· Gerenciar indicadores de performance em meio ambiente;
· Cumprir todos os requisitos da OHSAS 18001;
· Cumprir todos os requisitos da ISSO 14001;
· Coordenar descontaminação de áreas, quando houver;
· Seguir todos os requerimentos em saúde, segurança, ergonomia e meio ambiente definidos em instruções de trabalho e/ou comunicadas em treinamentos;
· Seguir todos os controles operacionais para prevenção de emergências;
· Reportar todos os acidentes, doenças ocupacionais e emergências;
· Cumprir com os requerimentos do BOS;
Perfil desejado
· Formação em Engenharia Ambiental;
· Inglês avançado;
· Experiência em metodologias de análise em Meio Ambiente;
· Conhecimento em ISO 14001;
· Domínio do pacote Office;
· Perfil pessoal: analítico, trabalho em equipe, bom relacionamento interpessoal, ótima comunicação, foco no cliente, iniciativa.
Os interessados deverão enviar currículo somente em formato Microsoft WORD, com pretensão salarial, para hugo.liguori@roberthalf.com.br, indicando no campo assunto o nome da vaga.
Empresa multinacional do segmento automotivo em forte crescimento no mercado brasileiro.
Descrição da vaga
· Assegurar o cumprimento de legislação e normas técnicas em Meio Ambiente, nas plantas da região;
· Padronizar e assegurar que sejam realizadas todas as medições técnicas necessárias para as plantas da região;
· Investigar e traçar ações corretivas para não-conformidades e incidentes ambientais;
· Garantir a melhoria contínua em meio ambiente, nas plantas da região;
· Padronizar procedimentos em meio ambiente;
· Analisar e controlar o andamento de ações relacionadas às observações em meio ambiente, realizadas pelos colaboradores da região;
· Prestar suporte técnico em processos trabalhistas e perícias em meio ambiente, nas plantas da região;
· Formular e consolidar relatórios técnicos em meio ambiente;
· Gerenciar indicadores de performance em meio ambiente;
· Cumprir todos os requisitos da OHSAS 18001;
· Cumprir todos os requisitos da ISSO 14001;
· Coordenar descontaminação de áreas, quando houver;
· Seguir todos os requerimentos em saúde, segurança, ergonomia e meio ambiente definidos em instruções de trabalho e/ou comunicadas em treinamentos;
· Seguir todos os controles operacionais para prevenção de emergências;
· Reportar todos os acidentes, doenças ocupacionais e emergências;
· Cumprir com os requerimentos do BOS;
Perfil desejado
· Formação em Engenharia Ambiental;
· Inglês avançado;
· Experiência em metodologias de análise em Meio Ambiente;
· Conhecimento em ISO 14001;
· Domínio do pacote Office;
· Perfil pessoal: analítico, trabalho em equipe, bom relacionamento interpessoal, ótima comunicação, foco no cliente, iniciativa.
Os interessados deverão enviar currículo somente em formato Microsoft WORD, com pretensão salarial, para hugo.liguori@roberthalf.com.br, indicando no campo assunto o nome da vaga.
LARGEST LANDFILLS - US
LARGEST LANDFILLS
Top 10 Largest Landfills
By tonnage received in 2008
Rank Landfill/Location Owner/Operator 2008 Tonnage
1 Apex Regional
Las Vegas, Nev. Republic Services Inc. 3,199,653
2 Puente Hills
Whittier, Calif. Los Angeles County 3,149,906
3 Newton County Landfill Partnership
Brook, Ind. Allied Waste Industries Inc. 2,926,489
4 Okeechobee
Okeechobee, Fla. Waste Management Inc. 2,640,000
5 Atlantic Waste
Waverly, Va. Waste Management Inc. 2,318,471
6 Rumpke Sanitary
Colerain Township, Ohio Rumpke Consolidated Cos. Inc. 2,174,660
7 Pine Tree Acres
Lenox, Mich. Pine Tree Acres Inc. 2,142,348
8 El Sobrante
Corona, Calif. Waste Management Inc. 2,104,362
9 Veolia Orchard Hills
Davis Junction, Ill. Veolia Environmental Services 2,084,445
10 Denver Arapahoe Disposal Site
Aurora, Colo. City and County of Denver 1,946,126
SOURCE: State environmental agencies, staff research.
NOTE: Some totals are estimated or from previous years.
Top 10 Largest Landfills
By tonnage received in 2008
Rank Landfill/Location Owner/Operator 2008 Tonnage
1 Apex Regional
Las Vegas, Nev. Republic Services Inc. 3,199,653
2 Puente Hills
Whittier, Calif. Los Angeles County 3,149,906
3 Newton County Landfill Partnership
Brook, Ind. Allied Waste Industries Inc. 2,926,489
4 Okeechobee
Okeechobee, Fla. Waste Management Inc. 2,640,000
5 Atlantic Waste
Waverly, Va. Waste Management Inc. 2,318,471
6 Rumpke Sanitary
Colerain Township, Ohio Rumpke Consolidated Cos. Inc. 2,174,660
7 Pine Tree Acres
Lenox, Mich. Pine Tree Acres Inc. 2,142,348
8 El Sobrante
Corona, Calif. Waste Management Inc. 2,104,362
9 Veolia Orchard Hills
Davis Junction, Ill. Veolia Environmental Services 2,084,445
10 Denver Arapahoe Disposal Site
Aurora, Colo. City and County of Denver 1,946,126
SOURCE: State environmental agencies, staff research.
NOTE: Some totals are estimated or from previous years.
Homem já 'come' quase metade da Terra
á pouco para comemorar no Dia Mundial do Meio Ambiente, apesar dos esforços de pesquisa e conscientização que marcaram as últimas décadas. Retórica à parte, o chamado desenvolvimento sustentável continua distante da prática: de fato, as estimativas mais recentes indicam que a humanidade nunca viveu de forma menos sustentável. As mais de 6 bilhões de pessoas monopolizam hoje 45% de toda a matéria viva produzida em terra firme - e nada indica que essa taxa esteja parando de crescer.
O cálculo, feito por pesquisadores como o americano Paul Ehrlich, da Universidade Stanford, e Stuart Pimm, da Universidade Duke (ambas nos Estados Unidos), é o mais abrangente possível. Os estudos se baseiam numa medição da produtividade primária - a massa viva produzida pelas plantas a cada ano. As plantas usam a luz solar e o gás carbônico do ar para produzir seu próprio alimento e, assim, construir seu organismo. (É o processo conhecido como fotossíntese.) Todos os animais dependem direta ou indiretamente das plantas para viver; por isso, a produtividade delas dá uma medida clara do funcionamento de um determinado ambiente.
Os cientistas costumam comparar esse processo ao rendimento de juros em um banco: as plantas que estão fazendo fotossíntese já têm sua própria massa (o equivalente ao dinheiro investido) e passam a aumentá-la. Examinando fatores como a área plantada com alimentos no mundo, as fatias de terra destinadas a pastos e as regiões florestais que são exploradas comercialmente ou para subsistência, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a humanidade se apropria de 45% da produtividade primária da Terra. Ou seja, o homem gasta quase metade do "rendimento em juros" das formas de vida terrestres. Números parecidos são encontrados nos rios e mares do planeta.
O número já é impressionante por si só, mas o grande problema é que as enormes demandas por matérias-primas e energia das sociedades modernas podem muito bem fazer com que a humanidade gaste todos os rendimentos da Terra e ainda por cima entre no cheque especial, por assim dizer. Na verdade, isso só não aconteceu ainda porque a maior parte das pessoas não tem o mesmo padrão de consumo que o do cidadão médio dos Estados Unidos, por exemplo. Se, por um passe de mágica, todos os 6 bilhões de seres humanos pudessem consumir bens no mesmo patamar dos americanos, só a produtividade primária de cinco Terras poderia saciá-los.
É claro que o avanço tecnológico tem permitido sustentar cada vez mais gente de forma cada vez mais eficiente, mas não há o menor sinal de que uma solução tecnológica, sozinha, será capaz de evitar uma catástrofe caso o padrão mundial de consumo continue a crescer no ritmo atual. O correto seria evitar o crescimento dos padrões de consumo.
À primeira vista isso pode parecer absurdo num mundo com tantos milhões de famintos e pobres, mas a voracidade humana, mesmo quando bem-intencionada, pode ser um tiro pela culatra. Quando se usa em excesso a produtividade primária de um ambiente - um pasto com bois além da conta, por exemplo -, a tendência é que surjam fenômenos como a desertificação e o empobrecimento do solo. Mais que isso: os cientistas estão descobrindo que os ecossistemas naturais - como florestas ou savanas, não utilizados para o plantio ou a criação de animais - são prestadores de serviços quase inestimáveis, sem os quais a pobreza extrema ou mesmo desastres são inevitáveis.
Serviços essenciais ameaçados - São os chamados serviços ambientais, um conceito relativamente novo, mas que define de forma clara por que a destruição completa de ecossistemas representa um risco para as sociedades humanas.
A parcela mais óbvia dos serviços ambientais é a do consumo humano direto - na forma de madeira florestal ou de frutos do mar, por exemplo, os quais são esmagadoramente oriundos de ambientes selvagens, e não da aqüicultura. Mas os serviços ambientais vão muito além disso. Praticamente nenhum lavoura humana é capaz de sobreviver sem a ação dos insetos polinizadores, como as abelhas (muitas delas de espécies selvagens), sem os quais as plantas não podem produzir fruto.
Todas as florestas também funcionam como sistemas de produção de água, alterando o clima de forma a garantir chuvas constantes (a "transpiração" das próprias árvores garante a umidade e a formação de nuvens em suas vizinhanças) e mantendo os cursos dos rios sem assoreamento. Desastres como enchentes e desabamentos de terra também são muito mais freqüentes em locais que perderam sua vegetação original.
Há indícios de que, quanto maior a diversidade de espécies de um ambiente, melhores e mais robustos são os serviços ambientais que ele presta.
"A biodiversidade não é o embrulho bonitinho dos ecossistemas - ela é um enorme motor de produtividade", explicou ao G1 o biólogo Stephen R. Palumbi, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. "Assim como qualquer fazendeiro precisa saber como e por que uma planta cresce depressa, nós precisamos saber como tirar o máximo dos ecossistemas sem destruí-los. Deveríamos ter como regra máxima dar apoio à diversidade natural de um ecossistema -- nem que seja pela razão puramente egoísta de querer que ele produza mais para nós."
A grande vantagem é que ambientes naturais saudáveis produzem serviços de graça - serviços os quais seria extremamente custoso obter por meios humanos. Mas é justamente esse risco que a humanidade está correndo graças a uma iminente onda de extinções a qual, se nada for feito, deve atingir a Terra. A Sexta Extinção, como tem sido chamada (em referência a outros cinco grandes eventos do tipo que varreram o planeta no passado), tem potencial para ser tão severa quanto a que destruiu os dinossauros há 65 milhões de anos, se nada for feito.
Nesse caso, o agravamento do aquecimento global tem tudo para interagir de forma nefasta com a retirada ativa dos ambientes naturais. Assim como o uso desenfreado dos recursos naturais pelo homem, a mudança climática pode interferir em todas as relações complexas entre as espécies que mantêm os ecossistemas funcionando.
Um exemplo disso é o aquecimento das águas marinhas geladas do Ártico e da Antártica. Ao contrário do que se poderia imaginar, a água marinha fria é excelente para a vida, porque ela permite que os nutrientes do fundo do oceano se misturem por igual em todas as profundidades. Com isso, as algas microscópicas proliferam (ou seja, há alta produtividade primária), e todos os outros seres vivos, dos camarões aos elefantes marinhos ou ursos polares, também se multiplicam.
No entanto, quando a água esquenta, as camadas do oceano ficam paradas e não se misturam. O plâncton morre, e sem ele todas as outras formas de vida passam fome e tendem a desaparecer. E é claro que a indústria pesqueira humana também é duramente afetada. (Reinaldo José Lopes/ Globo Online)
O cálculo, feito por pesquisadores como o americano Paul Ehrlich, da Universidade Stanford, e Stuart Pimm, da Universidade Duke (ambas nos Estados Unidos), é o mais abrangente possível. Os estudos se baseiam numa medição da produtividade primária - a massa viva produzida pelas plantas a cada ano. As plantas usam a luz solar e o gás carbônico do ar para produzir seu próprio alimento e, assim, construir seu organismo. (É o processo conhecido como fotossíntese.) Todos os animais dependem direta ou indiretamente das plantas para viver; por isso, a produtividade delas dá uma medida clara do funcionamento de um determinado ambiente.
Os cientistas costumam comparar esse processo ao rendimento de juros em um banco: as plantas que estão fazendo fotossíntese já têm sua própria massa (o equivalente ao dinheiro investido) e passam a aumentá-la. Examinando fatores como a área plantada com alimentos no mundo, as fatias de terra destinadas a pastos e as regiões florestais que são exploradas comercialmente ou para subsistência, os pesquisadores chegaram à conclusão de que a humanidade se apropria de 45% da produtividade primária da Terra. Ou seja, o homem gasta quase metade do "rendimento em juros" das formas de vida terrestres. Números parecidos são encontrados nos rios e mares do planeta.
O número já é impressionante por si só, mas o grande problema é que as enormes demandas por matérias-primas e energia das sociedades modernas podem muito bem fazer com que a humanidade gaste todos os rendimentos da Terra e ainda por cima entre no cheque especial, por assim dizer. Na verdade, isso só não aconteceu ainda porque a maior parte das pessoas não tem o mesmo padrão de consumo que o do cidadão médio dos Estados Unidos, por exemplo. Se, por um passe de mágica, todos os 6 bilhões de seres humanos pudessem consumir bens no mesmo patamar dos americanos, só a produtividade primária de cinco Terras poderia saciá-los.
É claro que o avanço tecnológico tem permitido sustentar cada vez mais gente de forma cada vez mais eficiente, mas não há o menor sinal de que uma solução tecnológica, sozinha, será capaz de evitar uma catástrofe caso o padrão mundial de consumo continue a crescer no ritmo atual. O correto seria evitar o crescimento dos padrões de consumo.
À primeira vista isso pode parecer absurdo num mundo com tantos milhões de famintos e pobres, mas a voracidade humana, mesmo quando bem-intencionada, pode ser um tiro pela culatra. Quando se usa em excesso a produtividade primária de um ambiente - um pasto com bois além da conta, por exemplo -, a tendência é que surjam fenômenos como a desertificação e o empobrecimento do solo. Mais que isso: os cientistas estão descobrindo que os ecossistemas naturais - como florestas ou savanas, não utilizados para o plantio ou a criação de animais - são prestadores de serviços quase inestimáveis, sem os quais a pobreza extrema ou mesmo desastres são inevitáveis.
Serviços essenciais ameaçados - São os chamados serviços ambientais, um conceito relativamente novo, mas que define de forma clara por que a destruição completa de ecossistemas representa um risco para as sociedades humanas.
A parcela mais óbvia dos serviços ambientais é a do consumo humano direto - na forma de madeira florestal ou de frutos do mar, por exemplo, os quais são esmagadoramente oriundos de ambientes selvagens, e não da aqüicultura. Mas os serviços ambientais vão muito além disso. Praticamente nenhum lavoura humana é capaz de sobreviver sem a ação dos insetos polinizadores, como as abelhas (muitas delas de espécies selvagens), sem os quais as plantas não podem produzir fruto.
Todas as florestas também funcionam como sistemas de produção de água, alterando o clima de forma a garantir chuvas constantes (a "transpiração" das próprias árvores garante a umidade e a formação de nuvens em suas vizinhanças) e mantendo os cursos dos rios sem assoreamento. Desastres como enchentes e desabamentos de terra também são muito mais freqüentes em locais que perderam sua vegetação original.
Há indícios de que, quanto maior a diversidade de espécies de um ambiente, melhores e mais robustos são os serviços ambientais que ele presta.
"A biodiversidade não é o embrulho bonitinho dos ecossistemas - ela é um enorme motor de produtividade", explicou ao G1 o biólogo Stephen R. Palumbi, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos. "Assim como qualquer fazendeiro precisa saber como e por que uma planta cresce depressa, nós precisamos saber como tirar o máximo dos ecossistemas sem destruí-los. Deveríamos ter como regra máxima dar apoio à diversidade natural de um ecossistema -- nem que seja pela razão puramente egoísta de querer que ele produza mais para nós."
A grande vantagem é que ambientes naturais saudáveis produzem serviços de graça - serviços os quais seria extremamente custoso obter por meios humanos. Mas é justamente esse risco que a humanidade está correndo graças a uma iminente onda de extinções a qual, se nada for feito, deve atingir a Terra. A Sexta Extinção, como tem sido chamada (em referência a outros cinco grandes eventos do tipo que varreram o planeta no passado), tem potencial para ser tão severa quanto a que destruiu os dinossauros há 65 milhões de anos, se nada for feito.
Nesse caso, o agravamento do aquecimento global tem tudo para interagir de forma nefasta com a retirada ativa dos ambientes naturais. Assim como o uso desenfreado dos recursos naturais pelo homem, a mudança climática pode interferir em todas as relações complexas entre as espécies que mantêm os ecossistemas funcionando.
Um exemplo disso é o aquecimento das águas marinhas geladas do Ártico e da Antártica. Ao contrário do que se poderia imaginar, a água marinha fria é excelente para a vida, porque ela permite que os nutrientes do fundo do oceano se misturem por igual em todas as profundidades. Com isso, as algas microscópicas proliferam (ou seja, há alta produtividade primária), e todos os outros seres vivos, dos camarões aos elefantes marinhos ou ursos polares, também se multiplicam.
No entanto, quando a água esquenta, as camadas do oceano ficam paradas e não se misturam. O plâncton morre, e sem ele todas as outras formas de vida passam fome e tendem a desaparecer. E é claro que a indústria pesqueira humana também é duramente afetada. (Reinaldo José Lopes/ Globo Online)
Thursday, August 26, 2010
Recycling Is a Waste
Could recycling actually be hurting the environment? In a recent policy paper, "Recycling Myths Revisited", Professor Daniel K. Benjamin, a senior fellow at the Property and Environment Research Center (PERC) in Bozeman, Mont., argues that U.S. municipal curbside recycling programs waste resources and probably do little, if anything, to benefit the environment.
"It is a waste to recycle when the costs of doing so exceed the benefits," Benjamin told Big Think. "In most cities across the nation, recycling of household trash is, in fact, wasteful, even when we take into account the meager environmental benefits of such recycling."
Environmentalists often point to the success of recycled aluminum to advocate for state and local subsidies for municipal recycling, says Benjamin—but that's because the reality is that aluminum cans, priced between one and five cents, are on average the most valuable recyclable in your trash. (Producing aluminum cans from recycled aluminum saves about 90-95% the energy used to make aluminum cans from scratch—a difference that's reflected in their relatively high resale value.)
The rest, according to Benjamin, is mostly garbage. Using data from cost studies by Franklin Associates, a life cycle assessment and solid waste management consulting firm that lists the EPA as one of its clients, Benjamin compared the costs of the three most common forms of municipal solid waste programs across the country: disposal into landfills, including a voluntary drop-off/buy-back recycling program; a baseline curbside recycling program, and an extensive curbside recycling program factoring in the most up-to-date recycling technologies. After discounting state and local subsidies for recycling programs, he found that in 2009, even after accounting for resold recycled material, state-of-the-art curbside recycling programs cost on average $199 per ton of municipal solid waste, while landfill disposal averaged only $119.
According to Benjamin, commercial recycling is worth our while, but curbside recycling expends an "undue amount capital and labor per pound of material" to reuse items of extremely low value. "The only things that intentionally end up in municipal solid waste," writes Benjamin, "are both low in value and costly to reuse or recycle. Yet these are the items that municipal recycling programs are targeting."
When asked how the costs of curbside recycling compare to the costs of landfill disposal, in terms of both money and the environment, EPA recycling spokesperson Tisha Petteway, says it depends on location and the supply and demand for recyclable materials. "Because recycling markets are very volatile and react to supply and demand very quickly, often recycling businesses will make money only certain times and try to survive the down times." Petteway told Big Think that the "EPA does not control the fluctuation of prices of recycled materials, and during hard economic times, many recycling programs will be adversely affected, which may lead to recyclable materials being landfilled."
"It is a waste to recycle when the costs of doing so exceed the benefits," Benjamin told Big Think. "In most cities across the nation, recycling of household trash is, in fact, wasteful, even when we take into account the meager environmental benefits of such recycling."
Environmentalists often point to the success of recycled aluminum to advocate for state and local subsidies for municipal recycling, says Benjamin—but that's because the reality is that aluminum cans, priced between one and five cents, are on average the most valuable recyclable in your trash. (Producing aluminum cans from recycled aluminum saves about 90-95% the energy used to make aluminum cans from scratch—a difference that's reflected in their relatively high resale value.)
The rest, according to Benjamin, is mostly garbage. Using data from cost studies by Franklin Associates, a life cycle assessment and solid waste management consulting firm that lists the EPA as one of its clients, Benjamin compared the costs of the three most common forms of municipal solid waste programs across the country: disposal into landfills, including a voluntary drop-off/buy-back recycling program; a baseline curbside recycling program, and an extensive curbside recycling program factoring in the most up-to-date recycling technologies. After discounting state and local subsidies for recycling programs, he found that in 2009, even after accounting for resold recycled material, state-of-the-art curbside recycling programs cost on average $199 per ton of municipal solid waste, while landfill disposal averaged only $119.
According to Benjamin, commercial recycling is worth our while, but curbside recycling expends an "undue amount capital and labor per pound of material" to reuse items of extremely low value. "The only things that intentionally end up in municipal solid waste," writes Benjamin, "are both low in value and costly to reuse or recycle. Yet these are the items that municipal recycling programs are targeting."
When asked how the costs of curbside recycling compare to the costs of landfill disposal, in terms of both money and the environment, EPA recycling spokesperson Tisha Petteway, says it depends on location and the supply and demand for recyclable materials. "Because recycling markets are very volatile and react to supply and demand very quickly, often recycling businesses will make money only certain times and try to survive the down times." Petteway told Big Think that the "EPA does not control the fluctuation of prices of recycled materials, and during hard economic times, many recycling programs will be adversely affected, which may lead to recyclable materials being landfilled."
França lança pacote de €1,35 bi para energias limpas
Governo francês divulga programa de subsídios e empréstimos para o desenvolvimento de tecnologias verdes, como a captura e armazenagem de carbono e biocombustíveis, com a promessa de que €190 milhões serão liberados ainda em 2010
A França sempre teve tradição em investir em energias limpas, mas a novidade agora é o país deixar de ser tão focado em nuclear e eólica e destinar quantias substanciais de recursos públicos para outras tecnologias.
O programa “Demonstrateurs energies renouvelables et chimie verte”, algo como “Demostrativos de Energias Renováveis e Química Verde”, irá distribuir €1.35 bilhões no decorrer dos próximos quatro anos na forma de subsídios (€450 milhões) e de empréstimos com baixos juros (€900 milhões).
Segundo autoridades francesas os fundos serão destinados para tecnologias que possuam altos custos de desenvolvimento, como energia solar, marinha e geotermal, assim como projetos de captura e armazenamento de carbono (CCS) e bicombustíveis avançados.
Cerca de €190 milhões devem ser investidos já em 2010 e outros €290 milhões anualmente até 2014.
Além dos recursos públicos, o governo francês está buscando parceiros na iniciativa privada para gerar mais €2 bilhões para as energias limpas. De acordo com a Bloomberg, a França deve ainda liberar €1 bilhão para transportes verdes e €250 milhões para redes elétricas inteligentes (smart grids).
O anúncio desse programa demonstra uma mudança na estratégia da França com relação às energias limpas. No decorrer das últimas décadas eram as fontes nucleares que recebiam grande destaque governamental, seguidas de longe pelas eólicas.
A Agência de Energia e Meio Ambiente francesa afirmou que o próximo passo agora é buscar empresas e projetos que mereçam os investimentos.
Japão
Não são apenas os franceses que estão de olho em tecnologias verdes, o governo japonês também está trabalhando em um plano de estímulo para o setor que deve ser anunciado em setembro.
O objetivo seria desenvolver produtos como baterias de lítio para automóveis, lâmpadas LED e outras mercadorias nas quais o Japão já é referência. Seriam assim concedidos subsídios para empresas que permitissem ao país consolidar sua liderança mundial.
Além disso, existe a previsão de ajuda para pequenos e médios negócios e para a formação de novos profissionais especializados em tecnologias verdes.
Diante desses anúncios uma coisa parece certa, o país que deixar de lado os investimentos em novas energias e em educação vai ficar para trás na corrida pelo mercado global das próximas décadas.
A França sempre teve tradição em investir em energias limpas, mas a novidade agora é o país deixar de ser tão focado em nuclear e eólica e destinar quantias substanciais de recursos públicos para outras tecnologias.
O programa “Demonstrateurs energies renouvelables et chimie verte”, algo como “Demostrativos de Energias Renováveis e Química Verde”, irá distribuir €1.35 bilhões no decorrer dos próximos quatro anos na forma de subsídios (€450 milhões) e de empréstimos com baixos juros (€900 milhões).
Segundo autoridades francesas os fundos serão destinados para tecnologias que possuam altos custos de desenvolvimento, como energia solar, marinha e geotermal, assim como projetos de captura e armazenamento de carbono (CCS) e bicombustíveis avançados.
Cerca de €190 milhões devem ser investidos já em 2010 e outros €290 milhões anualmente até 2014.
Além dos recursos públicos, o governo francês está buscando parceiros na iniciativa privada para gerar mais €2 bilhões para as energias limpas. De acordo com a Bloomberg, a França deve ainda liberar €1 bilhão para transportes verdes e €250 milhões para redes elétricas inteligentes (smart grids).
O anúncio desse programa demonstra uma mudança na estratégia da França com relação às energias limpas. No decorrer das últimas décadas eram as fontes nucleares que recebiam grande destaque governamental, seguidas de longe pelas eólicas.
A Agência de Energia e Meio Ambiente francesa afirmou que o próximo passo agora é buscar empresas e projetos que mereçam os investimentos.
Japão
Não são apenas os franceses que estão de olho em tecnologias verdes, o governo japonês também está trabalhando em um plano de estímulo para o setor que deve ser anunciado em setembro.
O objetivo seria desenvolver produtos como baterias de lítio para automóveis, lâmpadas LED e outras mercadorias nas quais o Japão já é referência. Seriam assim concedidos subsídios para empresas que permitissem ao país consolidar sua liderança mundial.
Além disso, existe a previsão de ajuda para pequenos e médios negócios e para a formação de novos profissionais especializados em tecnologias verdes.
Diante desses anúncios uma coisa parece certa, o país que deixar de lado os investimentos em novas energias e em educação vai ficar para trás na corrida pelo mercado global das próximas décadas.
Monday, August 23, 2010
IBGE: 17,8% das cidades fazem coleta seletiva do lixo
ALESSANDRA SARAIVA - Agência Estado
Do total de 5.564 municípios brasileiros, apenas 994 faziam coleta seletiva de seu lixo em 2008, ou apenas 17,86% do total. A informação é da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), referente ao ano de 2008, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O gerente da pesquisa, Antonio Tadeu de Oliveira, admitiu que o porcentual é pequeno, se comparado com o que é realizado neste sentido em outros países. "Mas podemos notar que, na pesquisa anterior, realizada em 2000, detectamos que apenas 451 municípios realizavam coleta seletiva", disse, acrescentando que, em oito anos, o Brasil apresentou uma melhora expressiva.
A localidade que apresentou o maior número de municípios que realizavam coleta seletiva em 2008 foi a região Sul, com 454 cidades, seguida de perto pela região Sudeste (408 municípios); Nordeste (80 municípios) e Centro-Oeste (31 municípios). Em último lugar ficou a região Norte, com 21 municípios que realizavam coleta seletiva.
Pavimentação
O porcentual de municípios brasileiros que informaram possuir ruas pavimentadas saltou de 78,3% para 94,4% em oito anos, um crescimento de 20,6%, segundo dados do IBGE. De acordo com o gerente da pesquisa, o maior avanço em pavimentação de ruas em oito anos foi registrado na Região Norte, que apurou um crescimento de 82,4% no porcentual de municípios com ruas pavimentadas na área urbana. Ele explicou que aquela região tinha um número maior de ruas não pavimentadas, em relação a outras regiões - portanto, um potencial maior de crescimento no porcentual de pavimentação de ruas.
O avanço da região Norte foi seguido pelo aumento na região Nordeste, que apurou crescimento de 31,1% na variação porcentual do total de municípios com ruas pavimentadas, de 2000 para 2008. Em terceiro lugar está a região Centro-Oeste que teve 28,5% de aumento no porcentual de municípios com ruas pavimentadas, também em oito anos, seguido por elevações nas regiões Sudeste (12,4%) e Sul (5,4%). "As regiões Sul e Sudeste já tinham um bom cenário, em termos de ruas pavimentadas, por isso o patamar de crescimento é menos intenso (do que a região Norte)", explicou.
Do total de 5.564 municípios brasileiros, apenas 994 faziam coleta seletiva de seu lixo em 2008, ou apenas 17,86% do total. A informação é da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), referente ao ano de 2008, divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O gerente da pesquisa, Antonio Tadeu de Oliveira, admitiu que o porcentual é pequeno, se comparado com o que é realizado neste sentido em outros países. "Mas podemos notar que, na pesquisa anterior, realizada em 2000, detectamos que apenas 451 municípios realizavam coleta seletiva", disse, acrescentando que, em oito anos, o Brasil apresentou uma melhora expressiva.
A localidade que apresentou o maior número de municípios que realizavam coleta seletiva em 2008 foi a região Sul, com 454 cidades, seguida de perto pela região Sudeste (408 municípios); Nordeste (80 municípios) e Centro-Oeste (31 municípios). Em último lugar ficou a região Norte, com 21 municípios que realizavam coleta seletiva.
Pavimentação
O porcentual de municípios brasileiros que informaram possuir ruas pavimentadas saltou de 78,3% para 94,4% em oito anos, um crescimento de 20,6%, segundo dados do IBGE. De acordo com o gerente da pesquisa, o maior avanço em pavimentação de ruas em oito anos foi registrado na Região Norte, que apurou um crescimento de 82,4% no porcentual de municípios com ruas pavimentadas na área urbana. Ele explicou que aquela região tinha um número maior de ruas não pavimentadas, em relação a outras regiões - portanto, um potencial maior de crescimento no porcentual de pavimentação de ruas.
O avanço da região Norte foi seguido pelo aumento na região Nordeste, que apurou crescimento de 31,1% na variação porcentual do total de municípios com ruas pavimentadas, de 2000 para 2008. Em terceiro lugar está a região Centro-Oeste que teve 28,5% de aumento no porcentual de municípios com ruas pavimentadas, também em oito anos, seguido por elevações nas regiões Sudeste (12,4%) e Sul (5,4%). "As regiões Sul e Sudeste já tinham um bom cenário, em termos de ruas pavimentadas, por isso o patamar de crescimento é menos intenso (do que a região Norte)", explicou.
Estre Ambiental e Haztec acertam fusão
A Estre Ambiental e a Haztec Soluções Integradas anunciam hoje um acordo de fusão que criará a maior companhia de engenharia ambiental do país, em valor de faturamento. Juntas, elas terão uma receita bruta neste ano de R$ 1,1 bilhão, cerca de 40% mais do que estima faturar a principal concorrente no setor, a empresa Foz do Brasil, do grupo Odebrecht. Wilson Filho, que tem 84% do capital da Estre Ambiental, ficará no comando da nova companhia, cujo nome ainda será escolhido. Seus novos sócios são os fundos FIP InfraBrasil, administrado pelo Santander, BBI Multimercado Plus, do Bradesco, e a Synthesis, do empresário Paulo Tupynambá, criador da Haztec. As duas empresas contam com um portfólio de 17 aterros sanitários, que recebem cerca de 40 mil toneladas de lixo por dia. A lista de clientes ultrapassa os três mil, sendo 75% deles empresas do setor privado e estatal, com nomes de peso como Petrobras, Vale, Basf, Vicunha, HP, AmBev, Cosipa, entre outros. Dos 25% de clientes do setor público, o destaque fica para a cidade do rio, que destina seu lixo aos aterros da Haztec. Além disso, 20% do faturamento é oriundo dos serviços de tratamento de água para os processos industriais das empresas. Na parte de energia, a empresa tem a Biogás, recém-comprada pela Haztec e que vai gerar 70 MW a partir dos gases produzidos nos aterros. Também tem contratos de serviços de biorremediação de solos contaminados e manipulação de lixos perigosos. Só com a Petrobras, a Estre tem um contrato de 700 milhões pelos próximos três anos para remediar solos que a empresa possui no Sudeste do País. Os detalhes das participações dos sócios na fusão ainda estão sendo acertados, mas já está definido que a Estre ficará com 58% da nova empresa e a Haztec com 42%. Além de Quintella Filho, a Estre tem como sócios Gisele Moraes e o fundo de investimentos em participações (FIP) AG Andra. Hoje, o AG tem ações de uma das empresas controladas da Estre, mas passará a ser sócio na holding. Do lado da Haztec, o empresário e físico Paulo Tupynambá, por meio da Synthesis, ficará com uma participação acionária reduzida na nova companhia e deve seguir como uma espécie de conselheiro nos negócios. A união vai permitir uma complementariedade dos negócios da Estre, principalmente na atividade de tratamento de água, onde a companhia não atuava. Cerca de metade do faturamento da Haztec vem da prestação de serviços para empresas em seus processos industriais e a própria empresa é que fornece os equipamentos para a montagem de estação de tratamento dentro das companhias. As duas se completam também geograficamente. Ambas atuam no País todo, mas a Estre tem maior penetração no Estado de São Paulo, e a Haztec, no Rio de Janeiro. Apesar de a união ainda estar sendo concretizada, os planos de expansão já traçados continuam em andamento, principalmente em função da nova lei do lixo que obriga as empresas ao recolhimentos de produtos descartáveis, chamada de logística reversa. A Estre também está investindo em um projeto de valorização de resíduos para a geração de energia ou de combustível para a indústria. A empresa comprou uma máquina separadora, de última geração, por R$ 35 milhões que a partir de outubro entre em operação. Essa máquina é capa de separar não só metal de produtos plásticos, como também isolar esse material do lixo orgânico, só pelo peso. Conhecida como "dinossauro", pela sua aparência, a máquina é capaz de triturar qualquer tipo de material em pequenos quadrados de três centímetros. A idéia da Estre é vender parte do material para a indústria cimenteira, que pode usá-lo como substituto do coque. Mas a função da máquina vai além. O lixo reciclável que não é adequadamente separado e chega contaminado por produtos orgânicos normalmente seria todo destinado ao aterro sanitário. Com a máquina separadora, a estimativa é de que apenas 45% do lixo que entra na máquina seja destinado ao aterro. Desta forma, será possível dar sobrevida aos próprios aterros. Em Paulínia, por exemplo, onde está hoje o principal aterro da Estre (na foto), a vida útil será ampliada de 10 anos para 15 anos.
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